Fonte: TJSP

São Paulo completa 466 anos.

 tjsp 09581       A cidade com a maior população, economia e Judiciário do Brasil completa 466 anos neste sábado (25). O ano de 2020 marca um aniversário diferente, o primeiro dos últimos 92 em que São Paulo não contará com a presença física do grande apaixonado pela metrópole: o poeta Paulo Bomfim. Nascido em 30 de setembro de 1926, o bardo, que faleceu em 7 de julho do ano passado, cantou São Paulo e sua história, sua cultura, avenidas e vielas, contradições e Justiça, sua gente e sua natureza.

        Conhecido como o Príncipe dos Poetas, Paulo Bomfim legou vasta obra para as futuras gerações e para o País. São poesias, crônicas, pensamentos e discursos que nunca deixarão de instruir e emocionar aqueles que percorrem os caminhos da Terra de Piratininga.

        Neste aniversário, o Tribunal de Justiça de São Paulo deseja que cada morador da metrópole possa se espelhar no espírito público, humanismo e fidalguia com que Paulo Bomfim viveu seus dias na Terra de Piratininga. E para comemorar a data, relembremos o lirismo único e marcadamente paulista de Paulo Bomfim com a crônica “Minha Insólita Metrópole”.

        Minha insólita metrópole, capital de todos os absurdos!
        Música eletrônica em fundo de serenata, paisagem cubista com incrustações primitivas, poema concreto envolto em trovas caboclas.
        Cidade feita de cidades, bairros proclamando independência, ruas falando dialetos, homens com urgência de viver.
        Oceano feito de ilhas. Ilhas chegando, ilhas sangrando, ilhas florindo.
        Os céus cansados do concreto que arranha. Cresce o mar das periferias.
        No barco dos barracos navega um sonho. No fundo de cada um dos cidadãos do mundo, dorme a província.
        Ali a velha igreja com seu campanário esperando a mantilha da noite.
        Anúncios luminosos piscam obsessões. O asfalto é irmandade de credos.
        No centro, todos os vícios e todas as virtudes convivem nas esquinas da São João.
        Os domingos são quadrados. Cabem dentro da tela de cinema, do aparelho de televisão, da página do jornal, do campo de futebol.
        O metrô é mergulho no inconsciente urbano. Nele o mesmo silêncio dos elevadores.
        Convívio de sonâmbulos, de antípodas da fila de ônibus e do trem de subúrbio onde há tempo para o cansaço florir num sorriso.
        Aqui o verde é esperança cobrindo o frio de existir.
        Teatros e o ballet da multidão, museus contemplando o quadro dos que se agitam, orquestras e a sinfonia de uma época em marcha.
        Nestes tempos modernos, Carlito operário ou estudante, comerciário ou burocrata, é técnico em sobreviver.
        Planalto dos desencontros, porto dos aflitos, rosa de eventos onde até o futuro tem pressa de chegar.
        Mal-amada cidade de São Paulo, EU TE AMO!

Homenagem do Judiciário bandeirante ao mais paulista dos poetas.

Paulo Bomfim (30/9/26 – 7/7/19)