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Em cerimônia coroada com muita emoção, relatos de quase um século, recitação de poesias e grandes revelações, o poeta Paulo Lébeis Bomfim foi homenageado na última sexta-feira (30), data do seu aniversário, com lançamento da Fotobiografia 90 anos, intitulada Porta-Retratos. O evento, realizado no auditório do Centro de Integração Empresa-escola (CIEE), contou com representantes do Tribunal de Justiça de São Paulo e de outras instituições.
A obra, de autoria da jornalista Di Bonetti, prefaciado pelo acadêmico Luiz Gonzaga Bertelli, consiste em nove capítulos recheados de rememoração com fotos e textos da vida familiar, social e profissional do poeta. Da infância aos dias atuais, o livro retrata desde sua certidão de nascimento, eventos e homenagens, suas nove décadas de vida, reservando um capítulo somente ao TJSP, onde Paulo atua há cinco décadas.
Nesse período, já passou por inúmeras gestões e viu filhos de magistrados se tornarem juízes e desembargadores. Não há como falar sobre a história do Judiciário sem mencionar o poeta. É de sua autoria o hino do TJSP, da Escola Paulista da Magistratura e da Associação Paulista de Magistrados. Ele também é o único que o TJSP homenageou em vida com uma sala que leva seu nome: Espaço Cultural Paulo Bomfim, que abriga acervo pessoal, composto por obras de sua autoria, honrarias recebidas e cópia de seu retrato feito por Anita Malfatti, além de vestes e apetrechos da Revolução Constitucionalista de 32.
O vice-presidente do TJSP, Ademir de Carvalho Benedito, representando na cerimônia o presidente da instituição, Paulo Dimas de Bellis Mascaretti, contou que conheceu o poeta em Itanhaém quando judicava na comarca. "Para mim, ele sempre foi uma figura mítica. A primeira lembrança que tenho dele é caminhando pela praia e às vezes indo à padaria para buscar o pão. A gente ficava um pouco a distância até que um dia o poeta me convidou para almoçar na sua casa." Ele contou ainda que se assustou ao entrar na sua residência. “Foi um verdadeiro banho de cultura! A casa dele é um museu com obras maravilhosas do movimento modernista, esculturas, quadros, poesias dele e doutros poetas. Tornei-me mais ainda seu fã. Considero-o como meu irmão mais velho", ressaltou.
Na mensagem de Paulo Dimas, ele declara que, para muitos, um dos maiores atributos de Paulo Bomfim é sua personalidade. “De fato, quem cruza com o poeta nos corredores do Palácio da Justiça é brindado com sua simpatia e suprema educação. Pouco importa qual o cargo a pessoa ocupa ou há quanto tempo o poeta a conhece. A atenção dispensada e o sorriso agradável são sempre os mesmos.”
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, disse no seu depoimento que quando tomou posse como magistrado Paulo Bomfim assessorava o então presidente da corte, Gentil do Carmo Pinto. "Por isso, posso dizer que o amor, o respeito e o carinho que o príncipe dos poetas de Piratininga devota a São Paulo, ao povo bandeirante e ao Tribunal de Justiça serve com o exemplo a todos os que amam a cidade, cultuam suas tradições, reverenciam sua história e acreditam no Judiciário Paulista. A cultura, a lhaneza, a fidalguia e a inteligência do poeta e acadêmico engrandecem o TJSP.
Di Bonetti revelou sua alegria em ser autora e editora da obra sobre o poeta. "Obrigada, Paulo Bomfim, por me permitir mostrar ao mundo, por trás dos porta-retratos da vida toda, seus 'Passeios da Memória' e pela oportunidade única de mergulhar em seu passado iluminado e saborear acontecimentos históricos memoráveis da vida intensa, instigante e intelectual de Paulo. Qualquer homenagem, porém, é muito menor do que sua importância para mim, para a cultura do país e para os que o amam e admiram.”
Também fizeram pronunciamento o presidente da Academia Paulista de História e do Conselho de Administração do CIEE, Luiz Gonzaga Bertelli; o secretário da Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini; o presidente do CIEE, Paulo Nathanael Pereira de Souza; e os professores eméritos e membros honorários do CIEE Celso Lafer e Ives Gandra da Silva Martins. O CIEE prestou também homenagem a Bomfim com o Troféu Integração, entregue por Bertelli.
Para finalizar, Paulo Bomfim, emocionado, declarou que o Porta-Retrato é a porta da alma e recitou poema feito especialmente para a data festiva:

Meus 90 anos em Porta-Retratos

Noventa heroicas pancadas
Batem no peito esta noite,
Surgem de um porta-retratos
As fotos esmaecidas
Que falam pelo silêncio,
Confidenciam lembranças
Ao caminheiro que segue
Levando em sua lapela
A voz da rosa dos ventos.
Noventa heroicas pancadas
Soam nos sinos das horas
Infâncias perdidas voltam
A percorrer cafezais.
A brisa acorda paisagens,
Rostos e vozes regressam
De casarões que navegam
O sonhar de serenatas.
Presença dos que partiram
E se encantaram em saudade
Amigos que me rodeiam
E celebram reencontros
Nas fotos que se revelam
Nos escaninhos da alma
Horas e dias viageiros
Transformam porta-retratos
Em porta-amor, porta-esperança.
Verde verdade florindo
No relicário que encerra
A magia dessa noite

Ao término, houve apresentação de poemas musicados por Eduardo Santhana que, junto com o grupo Trovadores Urbanos e Isadora Santana, fizeram serenata ao poeta.

Crédito: Comunicação Social TJSP – LV (texto) / KS (fotos)
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pb estadao fraya 3e5f6Para celebrar os 90 anos do poeta paulistano, quem o homenageia são as próprias ruas de sua terra natal. Nos becos e esquinas da São Paulo ainda provinciana onde se ambientam seus livros, ressurgem tipos como o gatuno Galalau, marginal e boêmio, a Vovó do Pito, a embalar a cidade com cantos africanos, e o guarda Antônio, protetor dos casais apaixonados e dos pobres que dormiam nas praças.

O aniversário é seu, mas também nós temos 90 anos a comemorar. Muito já se escreveu sobre você e sua obra de poeta, cronista e historiador, sobre sua sensibilidade única para entretecer pessoas e acontecimentos na trama do tempo de nossa cidade e, assim, revigorar o presente através do passado, o asfalto por meio da terra, o sonho através da lembrança, São Paulo por meio de sua história. Bem menos, entretanto, foi dito sobre o quanto nós, as ruas da cidade, devemos a você. De fato, sem o seu olhar e palmilhar já quase centenários em nossa busca, não seríamos o que podemos ser, para a São Paulo de hoje. E é disso que queremos falar aqui e agora.

É verdade que muitas de nós nascemos bem antes daquela primavera em que a luz do sol o alcançava pela primeira vez na Maternidade São Paulo, localizada na Rua Frei Caneca, uma de nós. Como você assinalou em crônicas, a taba do cacique Caiubi nos tempos da fundação desta São Paulo de Piratininga, em 1554, ficava na “velha Tabatinguera”. Por outro lado, nossa prima, a Praça do Patriarca, foi inaugurada no próprio ano de seu nascimento, 1926. História não nos falta, nem quem tenha dela tratado já bem antes de você se iniciar como escritor, ainda menino, na Biblioteca Infantil que hoje leva o nome de Monteiro Lobato, na Praça Rotary, Vila Buarque. Viajantes e memorialistas, jornalistas e historiadores locais, cronistas e poetas, mas também pintores e fotógrafos: cada um deles, e também delas – mulheres muitas vezes desconhecidas – colaboraram com o seu quinhão para que, quando você nascesse, naquele 30 de setembro, nós, as ruas, e nossos parentes os largos, praças e parques já contássemos com um acervo grande de informações e imagens a nosso respeito.

Porém, nem tudo estava desvendado e imaginado; nunca está... E aí, nos anos 1920, entrou em cena – saiu às ruas! – a sua sensibilidade em relação a nós. Certamente não a única, mas decerto única.

Ganha as ruas com a publicação de seu primeiro livro de poemas, Antônio Triste, ilustrado por sua amiga Tarsila do Amaral e prefaciado por Guilherme de Almeida. Aos 21 anos, você simboliza em tipos próprios da rua como Antônio Triste, “[S][S](s)ozinho[,](,) como os bancos de uma praça”, e Maria Felicidade, cujo sangue era o mesmo “dos anúncios luminosos; /[S](s)eus olhos de cor do asfalto /[D](d)urante os tempos chuvosos”, a complexidade humana que, ruas, abrigamos, espaços de natureza social que somos. Com efeito, você se aproximou de nós daquela primeira vez em busca de unidade na diferença em relação ao mundo do qual você mesmo provinha, famílias Lebeis e Bomfim, cujos nomes ocultam história profunda de peregrinações pelas terras paulistas. Daí que os tipos de rua nunca mais deixaram a sua obra.

Sua memória é pródiga em fazer o menino de cinco anos divisar com seu pai, na porta da antiga Drogaria Baruel, esquina das ruas Direita e 15 de Novembro, a Vovó do Pito, “preta velhíssima com o apito na boca, que olhava a cidade que embalara com seus cantos africanos”. Ou de relembrar o mulato Araújo e o húngaro Adão pelas ruas da Vila Buarque de sua infância, e o “preto velho e cego chamado Tobias” no portão de sua casa. Anos mais tarde, o jovem estudante de Direito e boêmio de São Paulo sensibiliza-se, na Praça da República, com a morte de Galalau, “que tivera seus dias de glória na marginalidade” em harmonia com a boemia. É nesse mesmo logradouro que, já adulto, você fica sabendo, pelo fotógrafo lambe-lambe Guerra, da morte do guarda de jardim Antônio, “que protegia os namorados, cobria com jornal os pobres adormecidos sobre o banco do jardim e trazia a carteira repleta de fotografias de crianças, suas companheirinhas de todos os dias”.

Todos esses homens de personalidade forte fazem par com moças e mulheres de vigor análogo, cortejadas num misto de respeito e liberdade. A mesma Praça da República é sinônimo das normalistas da Escola Caetano de Campos, que ornavam qual pérolas as sorveterias e confeitarias do entorno. Já nas várias ruas ao norte do logradouro, entre a Praça Julio Mesquita e o Bom Retiro, pontilham as feições ao mesmo tempo viçosas e sábias das “madames” Dadá, Amélia Preta, Geny das Tranças, Rosinha, Yara, Ceci, Francina, Roberta, Mathilde, Dulce e a cultíssima Paulete.

Não ignoramos que, quando a memória flagra o poeta e jornalista adulto, o seu olhar tende a afastar-se dos tipos humanos que animam nosso dia a dia em São Paulo. Ele concentra-se mais no ir e vir entre as livrarias e galerias, clubes literários e artísticos do entorno da Praça da República, além dos apartamentos e casas de amigos e familiares que, acompanhando a dinâmica de urbanização desta nossa São Paulo, tendem a trocar o centro histórico como lugar de moradia pelo entorno da Avenida Paulista. Ao mesmo tempo, contudo, a memória não sossega, e acontecimentos de rua ainda mais longevos se aprofundam no horizonte imaginário do poeta-cronista-historiador. A Rua Espírita do Cambuci, por exemplo, vira sinônimo da atuação política e religiosa do abolicionista e espírita oitocentista Batuíra; a Praça da Sé, cenário de lembrança dos restos mortais do cacique Tibiriçá, que a catedral abriga. A esquina da Rua Direita com a São Bento, por sua vez, reassume o histórico topônimo “Quatro Cantos” e evidencia ter abrigado o sobrado onde D. Pedro I teria se hospedado quando da proclamação da Independência do Brasil, e onde anos mais tarde, já como Hotel Itália, o poeta Castro Alves e sua amada Eugênia Câmara teriam vivido o seu tórrido amor.

Por tudo isso e mais um pouco, a história quase quintocentenária de São Paulo deixa de ser algo distante, restrita a livros e estudiosos de nosso passado, e ganha carne e sangue. Torna-se viva reavivando a densidade histórica das próprias ruas. Evidencia-se que fomos e somos cenários espaciais de todas essas tramas humanas que, vividas dia a dia, fizeram História sem saber que a faziam. É nesse sentido que uma frase como a de que “a alma de São Paulo veio de José de Anchieta” se reveste de uma crucial dimensão espacial: o interlocutor do poeta é instantaneamente conduzido ao Pátio do Colégio, e a questionar-se acerca das camadas de história humana que se ocultam nas fachadas só aparentemente coloniais do logradouro atual.

É marcada por essa dinâmica que a sua obra, Paulo, fez e faz tanto por nós. Testemunha ocular de nosso destino ao longo dos últimos 90 anos, você não abandonou nossa história humana “rueira”. Ora, esta é mais e mais esquecida à medida que, em São Paulo, centros urbanos se multiplicam ininterruptamente para fora da chamada colina histórica, o que se dá sobretudo desde a década de 1960. Daí que hoje são poucos os que nos olham em busca do que soterramos não apenas dos chamados grandes processos históricos, porém da história humana fugaz, mas nem por isso menos significativa, da qual fomos e somos mediação dia a dia, e que é ao mesmo tempo mediação precisamente daquela História mais abrangente. Graças a sua obra, Paulo, as ruas paulistanas em particular da segunda metade do século 20 e deste início de século 21 contamos com um espelho abrangente através do qual vislumbrar o quanto o que somos deve ao que fomos.

Desse ponto de vista, o seu olhar permite retornar de modo renovado, porque inquiridor, às ruas paulistanas do presente. A curiosidade histórica tem como perscrutar, entre outros, o atual Largo Marechal Deodoro em busca do porquê da ausência, hoje, de qualquer referência à animada e constante presença, ali, do circo Piolin. Ela pode questionar-se sobre o que fez e, provavelmente, não faz mais do Largo de São Francisco o “Território Livre” enaltecido por ex-estudantes como Paulo Bomfim. O olhar interessado tem como aportar na Praça da Sé e interpelar, incomodado, os repuxos do jardim do atual logradouro sobre o destino do culturalmente vigoroso Palacete Santa Helena, que até nome de um dos mais ativos grupos de artistas paulistanos do século 20 virou... Na Rua Barão de Itapetininga e seu entorno, a curiosidade sai em busca de indícios mesmo que fragmentários da agitada Confeitaria Vienense, para não mencionar livrarias como a Francesa, a Teixeira, a Brasiliense.

Enfim, o olhar inquieto pode regressar, já cansado mas nem por isso desanimado, ao lugar onde tudo isso começou: na infância vivida na esquina da Rua Rego Freitas com a Epitácio Pessoa. O amplo casarão que, em seu período mais agitado, chegou a abrigar 15 pessoas, foi desde cedo o quartel-general primordial a partir do qual o poeta incursionava pela cidade. Lembramos bem da “guerra das calças curtas” travada dia a dia com os meninos daquela e de outras ruas do entorno, no âmbito de “trocinhas” cuja dinâmica social e cultural o sociólogo Florestan Fernandes tão bem elucidou na mesma época. E como esquecer das escapadas para a Tabatinguera para “conversar com as velhas taipas”, e as horas passadas na biblioteca, onde o menino “ensaiou voar um dia”? Em busca de tudo isso, só o que a esquina em questão oferece ao olhar desassossegado do presente é a frieza dos muros de um prédio acalentado pelas cores vivas de um grafite. E a oportunidade de mais um “Por quê?”, “Desde quando?” se reaviva.

É essa possibilidade crítica que você lega à São Paulo de hoje e amanhã por meio de nós. Prenhes de passado, fomos alçadas a referências fundamentais para o futuro, porque potencialmente emancipadoras da experiência urbana dos seres humanos que fazem de nós o que somos atualmente. Você bem sabe disso ainda hoje. Tanto que há poucos dias escreveu sobre um envelope fugaz, para os leitores deste jornal, que “As ruas são caminhos da solidão, percursos do sonho e esquinas dos desencontros”. E, uma vez mais, agradecemos.

FRAYA FREHSE É PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA DA USP E AUTORA DE O TEMPO DAS RUAS NA SÃO PAULO DE FINS DO IMPÉRIO E Ô DA RUA! O TRANSEUNTE E O ADVENTO DA MODERNIDADE EM SÃO PAULO (EDUSP, 2005 E 2011)

Crédito: Fraya Frehse, O Estado de S.Paulo

premio governador do estado 4a6f9O secretário da Cultura do estado de São Paulo, Marcelo Mattos Araújo, anunciou durante a cerimônia de abertura do Ano Literário 2015, na Academia Paulista de Letras, que o poeta e chefe de gabinete do Tribunal de Justiça de São Paulo, Paulo Bomfim foi a personalidade escolhida Destaque Cultural, do Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura 2014.

A escolha, por uma comissão especializada, levou em conta a trajetória e contribuição para a cultura ao longo de sua carreira. A cerimônia oficial de premiação será no Theatro São Pedro, na noite de 23 de fevereiro. Nas demais categorias do prêmio a votação popular termina no dia 19 de fevereiro.

Saiba mais sobre o Prêmio – A lista dos 45 finalistas do Prêmio Governador do Estado de São Paulo para a Cultura 2014, nas categorias Arte para Crianças, Artes Visuais, Circo, Dança, Música, Cinema, Teatro, Instituição Cultural e Territórios Culturais está disponível no site oficial www.premiogovernador.sp.gov.br. Mais uma vez, o público poderá participar da premiação, votando nos seus artistas, grupos e instituições favoritos, também por meio do portal. A votação popular termina no dia 19 de fevereiro. Os vencedores serão anunciados em uma cerimônia oficial, no Theatro São Pedro, na noite de 23 de fevereiro. Vote e escolha os seus nomes preferidos.

Promovido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o Prêmio é uma forma de valorizar e incentivar a produção cultural paulista, contribuindo para o constante aprimoramento dos trabalhos apresentados para o público. Com o total de R$ 580 mil destinados aos vencedores na modalidade Voto do Júri e Destaque Cultural, a premiação é considerada uma das maiores do País, em valor, no segmento da cultura.

Para cada uma das categorias contempladas serão anunciados dois vencedores – um escolhido por votação popular, por meio do site, e outro pelo júri especializado. Em ambos os casos, os ganhadores receberão um troféu exclusivo, confeccionado pela arquiteta Ester Grinspum, que buscou inspiração num continente, representando todas as possibilidades encontradas no meio cultural. Já os selecionados pela comissão julgadora, formada por especialistas e profissionais de cada segmento, também ganharão um prêmio em dinheiro, no valor individual de R$ 60 mil.

Somente a categoria Instituição Cultural será escolhida apenas por votação popular. Nesse ano, os escolhidos para a disputa apresentaram trabalhos em áreas diversas, reconhecidos por contribuir para a descentralização e ampliação do acesso à cultura.

Criado na década de 1950, o Prêmio Governador do Estado para a Cultura foi um dos mais prestigiados e concorridos da época – não só pelo reconhecimento que oferecia aos artistas, como também pela quantia em dinheiro que destinava aos vencedores. Inicialmente dedicado apenas ao Teatro, a premiação oferecia, em 1957, 500 mil cruzeiros, atualmente equivalentes a R$ 150 mil. Um dos primeiros vencedores foi o ator e diretor Sérgio Cardoso (1925-1972) – que dá nome a um dos teatros mais importantes da capital paulista – ao lado de sua esposa Nydia Licia. Até hoje, a atriz recorda a elegância e notoriedade do Prêmio, cujas cerimônias eram realizadas, em sua maioria, no Palácio dos Bandeirantes. Ao longo de três décadas, o Prêmio reconheceu nomes importantes do teatro brasileiro – reconhecidos até os dias atuais. As atrizes Fernanda Montenegro, Aracy Balabanian e Eliane Giardini estão entre eles, ao lado de Juca de Oliveira, Stênio Garcia e tantos outros. No entanto, em meados dos anos 1980, o evento foi interrompido e retomado pela Secretaria de Estado da Cultura recentemente, em 2010. Neste novo formato agregou novas categorias, abarcando também artes visuais, cinema, música, dança, circo, instituição cultural, e territórios culturais.

No ano passado, a grande homenageada na categoria Destaque Cultural foi a artista plástica japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake, no ano anterior o prêmio foi concedido ao professor Antônio Cândido. Já na categoria Dança, a bailarina e coreógrafa Janice Vieira venceu por voto do júri e Antônio Nóbrega, criador da Companhia Antonio Nóbrega de Dança, venceu por voto popular. Tata Amaral e Cristiano Burlan também foram premiados pelos filmes “Hoje” e “Mataram meu Irmão”, respectivamente. A lista completa está disponível no site oficial do Prêmio Governador do Estado para a Cultura: www.premiogovernador.sp.gov.br.

Saiba mais sobre Paulo Bomfim: Nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1926, descendendo de bandeirantes e de fundadores de cidades. As origens da temática de “Armorial” circulam em suas veias. De seu amor à terra surge também a comemoração do “Dia do Bandeirante”, celebrado pela primeira vez em 14 de novembro de 1961. Jornalista profissional, iniciou suas atividades jornalísticas em 1945, no Correio Paulistano, indo a seguir para o Diário de São Paulo a convite de Assis Chateaubriand onde escreveu durante uma década “Luz e Sombra”, redigindo também “Notas Paulistas” para o “Diário de Notícias” do Rio. Foi diretor de Relações Públicas da “Fundação Cásper Líbero” e fundador, com Clóvis Graciano, da Galeria Atrium.

Homem de TV, produziu “Universidade na TV” juntamente com Heraldo Barbuy e Oswald de Andrade Filho, no Canal 2, “Crônica da Cidade” e “Mappin Movietone”, no Canal 4. Apresentou na Rádio Gazeta, “Hora do Livro” e “Gazeta é Notícia”. Seu livro de estreia foi “Antônio Triste”, publicado em 1947, com prefácio de Guilherme de Almeida e ilustrações de Tarsila do Amaral. Em sua apresentação, Guilherme saudava o jovem estreante como “o novo poeta mais profundamente significativo da nova cidade de São Paulo”. “Antônio Triste” foi premiado em 1948 pela Academia Brasileira de Letras com o “Prêmio Olavo Bilac”. Fizeram parte da comissão julgadora Manuel Bandeira, Olegário Mariano e Luiz Edmundo. Publica a seguir “Transfiguração” (1951), onde envereda através do soneto inglês nos roteiros de Gama transpostos para a descoberta do mar secreto e das Índias interiores. Depois, em “Relógio de Sol” (1952) lida com a alquimia poética e lança as primeiras cantigas, linha que seria musicada por Camargo Guarnieri, Dinorah de Carvalho, Theodoro Nogueira, Sergio Vasconcelos, Oswaldo Lacerda e outros. Edita em 1954, “Cantiga do Desencontro” e “Poema do Silêncio”, surgindo depois “Armorial”, de profundas vivências ancestrais, onde o bandeirismo é projetado no reino mágico dos Mitos. “Volta proustiana ao passado paulista”, como escreveu Cassiano Ricardo. Clóvis Graciano é o ilustrador dessa edição. Em 1958, sempre pela Editora Martins, lança seus “Quinze Anos de Poesia” e “Poema da Descoberta”. Publicou a seguir “Sonetos” (1959), “Colecionador de Minutos”, “Ramo de Rumos” (1961), “Antologia Poética” (1962), “Sonetos da Vida e da Morte” (1963). “Tempo Reverso” (1964), “Canções” (1966), “Calendário” (1963), “Poemas Escolhidos” (1973) com prefácio de Nogueira Moutinho, “Praia de Sonetos” (1981), com prefácio de Almeida Salles e ilustrações de Celina Lima Verde, “Sonetos do Caminho” (1983), com prefácio de Gilberto de Mello Kujawski. Lança em 1992, “Súdito da Noite”, com prefácio de Ignacio da Silva Telles e capa de Dudu Santos. Publica em 1999, “50 Anos de Poesia” com prefácio de Rodrigo Leal Rodrigues, e em 2000, “Sonetos” e “Aquele Menino”. Seu livro “O Caminheiro” foi editado pela “Green Forest do Brasil” em 2001. Publica em 2004 “Tecido de Lembranças” pela editora Book Mix, e “Rituais”, com ilustrações de Dudu Santos, em 2005. Em 2006, 3ª edição de “O Colecionador de Minutos” pela editora Gente, “Livro dos Sonetos”, edição Amaral Gurgel, e “Janeiros de Meu São Paulo” pela editora Book Mix. Lança em 2007, “Cancioneiro”, com desenhos de Adriana Florence, e “Navegante”, edição bilíngue, Amaral Gurgel Editorial. E a sair, “Corpo”, com ilustrações de Dudu Santos, “Insólita Metrópole” com Ana Luiza Martins, e “Café com Leite”, com Juarez de Oliveira.

Livros publicados: 1947 “Antonio Triste” / 1951 "Transfiguração / 1952 “Relógio de Sol” / 1954 "Cantiga de Desencontro" e "Poema do Silêncio” / 1955 “Sinfonia Branca” / 1956 "Armorial" / 1958 “Poema da Descoberta” e “Quinze Anos de Poesia” / 1959 “Sonetos” / 1960 “O Colecionador de Minutos” / 1961 “Ramo de Rumos”/ 1962 “Antologia Poética” / 1963 “Sonetos da Vida e da Morte” / 1964 “Tempo Reverso” / 1966 “Canções”/ 1968 “Calendário”/ 1974 “Poemas Escolhidos”/ 1981 “Praia de Sonetos” / 1983 “Sonetos do Caminho”/ 1992 “Súdito da Noite” / 1997 “50 Anos de Poesia”/ 2000 “Aquele Menino” / 2001 “O Caminheiro” / 2003 A Academia Paulista de Magistrados lança “Tributo a Paulo Bomfim”/ 2004 “Tecido de Lembranças” / 2005 “Rituais” / 2006 “Livro dos Sonetos” / 2006 “Janeiros de meu São Paulo” / 2007 “Cancioneiro” / 2007 “Navegante” / 2008 “Café com Leite” com Juarez de Oliveira / 2012 “Diário do Anoitecer” / 2012 "Antologia Lírica" / 2013 "Insólita Metrópole".

Suas obras foram traduzidas para o alemão, o francês, o inglês, o italiano e o castelhano. Em noite memorável de 23 de maio de 1963 entrou para a Academia Paulista de Letras onde foi saudado por Ibrahim Nobre. Foi presidente do Conselho Estadual de Cultura e do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito, e atualmente é chefe de gabinete do Tribunal de Justiça de São Paulo. Em 1981, eleito “Intelectual do Ano”, pela União Brasileira de Escritores, conquistando o “Troféu Juca Pato”, ao qual concorreram também Darcy Ribeiro e Celso Furtado. Em 1991, premiado com o “Obrigado São Paulo” da TV Manchete. Recebeu, também, o título “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, da Revista Brasília. Foi outorgado, no Rio de Janeiro, o Prêmio da União Brasileira de Escritores por seus 50 anos de Poesia. Editado pela Academia Paulista de Magistrados o livro “Tributo a Paulo Bomfim”. Em 2004, é criado pelo Governo do Estado de São Paulo o “Prêmio Paulo Bomfim de Poesia”. É o decano da Academia Paulista de Letras e Conselheiro do IMAE. 2008 - Prêmio Literário “Fundação Bunge” (conjunto de obras). Em 17 de julho de 2012, foi agraciado com o Colar do Mérito Judiciário, condecoração instituída pelo TJSP, em 1973, com o objetivo de homenagear personalidades, nacionais ou estrangeiras, por seus méritos e relevantes serviços prestados à cultura jurídica. Em maio de 2013 completou cinquenta anos de Academia Paulista de Letras.

Fonte: Comunicação Social TJSP – RS (texto com informações da Secretaria da Cultura e site Paulo Bomfim)