Ai vagas vigas do sonho
Ai pouso sobre as alfaias,
Ai travessos travesseiros
Ai volúpia de cambraias!

A casa é asa que inventa
Estruturas do abandono,
Ancoradouro do barco
Onde navega teu sono.

No leito em que a noite aleita
Cantares desencantados,
Lençóis soprados de longe
São navios naufragados.

Só âncoras vão florindo
Sobre a maré que te sonha:
Convocações de viagem
Em portulanos de fronha.