Desnudam-se madrugadas
Sob a mandala da lua,
Os jasmineiros em flor
Perfumam passos da rua.

Vocábulos vão surgindo
Em túneis de encantação,
No plexo verde das praças,
Penugens de sedução.

Em arrepios da brisa,
Num roçar de peles níveas,
A sombra vai desenhando
Redescobertas lascívias.

Nos barcos que vem singrando
O ouro sensual das lavras,
Desnudam-se madrugadas
Sobre a carne das palavras.