Na parede do mundo abre-se a janela:
Somos paisagem.

O olhar cruzou fronteiras de vidro:
Somos estrangeiros.

A alma navega em barcos de luz:
Somos naufrágio.

Pássaros flutuam na manhã cobalto:
Somos cantiga.

Surge alua nova em nossa lucidez:
Somos trasparência.

Na parede do mundo fecha-se a janela:
Somos a viagem.