Os poetas tocam os corações emprestando palavras aos sentimentos alheios.

Neste 30 de setembro, o poeta de São Paulo, completou 92 primaveras.

Em tempos de muitos aspirantes ao título de “celebridade relâmpago”, que espaço sobra para os reais gigantes da nossa cultura?

São Paulo se orgulha do filho | poeta, Paulo Bomfim.

Lenda viva, com trajetória autêntica, é remanescente da linhagem dos bandeirantes.

É o sexto Príncipe dos Poetas Brasileiros. Sucede aos eruditos Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Olegário Mariano, Guilherme de Almeida e Menotti Del Picchia.

Filho do médico Simeão Santos Bomfim, formado na primeira turma da Faculdade de Medicina de São Paulo e da encantadora Maria de Lourdes Lébeis.

Nasceu em berço coroado de boas influências, já que o lar de seus avôs maternos, onde viveu com seus pais boa parte da infância, adolescência, e parte da vida adulta, era frequentada por pessoas que lá deixavam sua essência cultural.

Sua tia, Magdalena Lébeis, cantora, foi a maior intérprete de Villa Lobos. O maestro visitava a residência Lébeis, sempre que vinha a São Paulo.

Outros nomes como Mario de Andrade, Guilherme de Almeida, Tarsila do Amaral e Guiomar Novaes também eram “de casa”.

Homem privilegiado por ter coexistido com uma cultura viva, pulsante, e, não apenas possuidor dela. Suas células respiravam um “movimento significativo”. Conviveu com a maioria dos modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922.

Anita Malfatti era amiga e-professora de pintura de sua mãe. A modernista retratou o poeta quando jovenzinho. O óleo sobre tela, que já participou de grandes exposições pelo país, faz parte de seu acervo particular, valorizando até hoje a galeria de quadros de seu apartamento na Rua Peixoto Gomide.

Tarsila do Amaral ilustrou “Antônio Triste”, o primeiro livro do Paulo Bomfim, prefaciado por Guilherme de Almeida.

A naturalidade com a eclética convivência - o transcendeu a condição de intelectual, onde sua alma sempre foi livre, - liberdade essa que conduz os poetas. Foi contemporâneo de uma época tida como verdadeiro olimpo de cultura.

São tantas convivências com uma intelectualidade refinada e, diversas passagens do poeta, que sua vida tem importância histórica.

O Homem Paulo Bomfim é uma lenda viva! O poeta, imortal.

Aos 92 anos, com memória privilegiada, e boa saúde, os amigos exaltam sua capacidade extraordinária de pontuar informações que, nem o “Google” séria mais rápido, e teria tão profunda pluralidade.

Brindemos! Vida longa ao Príncipe de Piratininga!

Di Bonetti é jornalista, escritora, fotógrafa, curadora e biógrafa do poeta Paulo Bomfim.