Em cerimônia coroada com muita emoção, relatos de quase um século, recitação de poesias e grandes revelações, o poeta Paulo Lébeis Bomfim foi homenageado na última sexta-feira (30), data do seu aniversário, com lançamento da Fotobiografia 90 anos, intitulada Porta-Retratos. O evento, realizado no auditório do Centro de Integração Empresa-escola (CIEE), contou com representantes do Tribunal de Justiça de São Paulo e de outras instituições.
A obra, de autoria da jornalista Di Bonetti, prefaciado pelo acadêmico Luiz Gonzaga Bertelli, consiste em nove capítulos recheados de rememoração com fotos e textos da vida familiar, social e profissional do poeta. Da infância aos dias atuais, o livro retrata desde sua certidão de nascimento, eventos e homenagens, suas nove décadas de vida, reservando um capítulo somente ao TJSP, onde Paulo atua há cinco décadas.
Nesse período, já passou por inúmeras gestões e viu filhos de magistrados se tornarem juízes e desembargadores. Não há como falar sobre a história do Judiciário sem mencionar o poeta. É de sua autoria o hino do TJSP, da Escola Paulista da Magistratura e da Associação Paulista de Magistrados. Ele também é o único que o TJSP homenageou em vida com uma sala que leva seu nome: Espaço Cultural Paulo Bomfim, que abriga acervo pessoal, composto por obras de sua autoria, honrarias recebidas e cópia de seu retrato feito por Anita Malfatti, além de vestes e apetrechos da Revolução Constitucionalista de 32.
O vice-presidente do TJSP, Ademir de Carvalho Benedito, representando na cerimônia o presidente da instituição, Paulo Dimas de Bellis Mascaretti, contou que conheceu o poeta em Itanhaém quando judicava na comarca. "Para mim, ele sempre foi uma figura mítica. A primeira lembrança que tenho dele é caminhando pela praia e às vezes indo à padaria para buscar o pão. A gente ficava um pouco a distância até que um dia o poeta me convidou para almoçar na sua casa." Ele contou ainda que se assustou ao entrar na sua residência. “Foi um verdadeiro banho de cultura! A casa dele é um museu com obras maravilhosas do movimento modernista, esculturas, quadros, poesias dele e doutros poetas. Tornei-me mais ainda seu fã. Considero-o como meu irmão mais velho", ressaltou.
Na mensagem de Paulo Dimas, ele declara que, para muitos, um dos maiores atributos de Paulo Bomfim é sua personalidade. “De fato, quem cruza com o poeta nos corredores do Palácio da Justiça é brindado com sua simpatia e suprema educação. Pouco importa qual o cargo a pessoa ocupa ou há quanto tempo o poeta a conhece. A atenção dispensada e o sorriso agradável são sempre os mesmos.”
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Manoel de Queiroz Pereira Calças, disse no seu depoimento que quando tomou posse como magistrado Paulo Bomfim assessorava o então presidente da corte, Gentil do Carmo Pinto. "Por isso, posso dizer que o amor, o respeito e o carinho que o príncipe dos poetas de Piratininga devota a São Paulo, ao povo bandeirante e ao Tribunal de Justiça serve com o exemplo a todos os que amam a cidade, cultuam suas tradições, reverenciam sua história e acreditam no Judiciário Paulista. A cultura, a lhaneza, a fidalguia e a inteligência do poeta e acadêmico engrandecem o TJSP.
Di Bonetti revelou sua alegria em ser autora e editora da obra sobre o poeta. "Obrigada, Paulo Bomfim, por me permitir mostrar ao mundo, por trás dos porta-retratos da vida toda, seus 'Passeios da Memória' e pela oportunidade única de mergulhar em seu passado iluminado e saborear acontecimentos históricos memoráveis da vida intensa, instigante e intelectual de Paulo. Qualquer homenagem, porém, é muito menor do que sua importância para mim, para a cultura do país e para os que o amam e admiram.”
Também fizeram pronunciamento o presidente da Academia Paulista de História e do Conselho de Administração do CIEE, Luiz Gonzaga Bertelli; o secretário da Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini; o presidente do CIEE, Paulo Nathanael Pereira de Souza; e os professores eméritos e membros honorários do CIEE Celso Lafer e Ives Gandra da Silva Martins. O CIEE prestou também homenagem a Bomfim com o Troféu Integração, entregue por Bertelli.
Para finalizar, Paulo Bomfim, emocionado, declarou que o Porta-Retrato é a porta da alma e recitou poema feito especialmente para a data festiva:

Meus 90 anos em Porta-Retratos

Noventa heroicas pancadas
Batem no peito esta noite,
Surgem de um porta-retratos
As fotos esmaecidas
Que falam pelo silêncio,
Confidenciam lembranças
Ao caminheiro que segue
Levando em sua lapela
A voz da rosa dos ventos.
Noventa heroicas pancadas
Soam nos sinos das horas
Infâncias perdidas voltam
A percorrer cafezais.
A brisa acorda paisagens,
Rostos e vozes regressam
De casarões que navegam
O sonhar de serenatas.
Presença dos que partiram
E se encantaram em saudade
Amigos que me rodeiam
E celebram reencontros
Nas fotos que se revelam
Nos escaninhos da alma
Horas e dias viageiros
Transformam porta-retratos
Em porta-amor, porta-esperança.
Verde verdade florindo
No relicário que encerra
A magia dessa noite

Ao término, houve apresentação de poemas musicados por Eduardo Santhana que, junto com o grupo Trovadores Urbanos e Isadora Santana, fizeram serenata ao poeta.

Crédito: Comunicação Social TJSP – LV (texto) / KS (fotos)
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Soneto I - (Transfiguração – 1951)

Venho de longe, trago o pensamento Banhado em velhos sais e maresias; Arrasto velas rotas…

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