Soneto XXIV - (Transfiguração – 1951)

Agora, peço muito que me ajudes
A retornar ao ponto de partida,
Novos olhos revejam minha vida
Antes que ela transborde dos açudes.

 

Despirei nesse instante as atitudes,
Minha roupa de estrelas já cerzida,
O chapéu de alvoradas e a esquecida
Capa de chuvas e de ventos rudes

 

Comigo ficarão unicamente
Os versos que escrevi e as derradeiras
Flores que desfolhaste em minha mente.

 

Depois, no grande espelho, a tarde é calma:
− Saber que passo além destas fronteiras,
com meus disfarces já cobertos de alma!